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Hulk despreza a diurese

Hulk despreza a diurese

Acabei de sair do cinema e resolvi eliminar aquele copo de 1 litro de refrigerante. Empurrei a porta do banheiro e notei um vago “NHÉÉÉC” nela. Me prostei em frente àqueles mictórios e fiquei lá taciturnamente esperando que num resfôlego me saísse aquele jato amarelo brilhante inundando a cerâmica. O banheiro estava vazio, tão vazio que quando o jato bateu na cerâmica fez eco.

De repente: “NHÉÉÉÉÉC” – de novo.

Entrou um nerd franzino com óculos enormes, tinha uma cara de acabado, teria programado a noite inteira? Se instaurou ao meu lado e simplesmente do nada me disse: “Não se apavore hein!”

Não entendi muito bem do que ele falava. Louco de pedra. Ah… Esses nerds de hoje em dia…
Estava muito mais concentrado no efeito tremeluzente que minha urina fazia ao chocar-se com a cerâmica e na sensação de alívio ao esvaziar a minha bexiga, praticamente o clímax, o declínio total de todas as minhas tensões estava ocorrendo, porque diabos eu ligaria para um nerd branquelo ao meu lado que dizia para que eu não me apavorasse?

Então, quando estava mais ou menos terminando, ele me disse: “Cálculos renais meu caro, cálculos renais…”

Não costumo conversar com outras pessoas no banheiro, tenho xenofobia no banheiro, para mim quem conversa em banheiros são as mulheres e inclusive disputam partidas de ping-pong lá dentro, homens conversando no banheiro?

Nunca. Entro calado e saio mudo. Nada digo, nada ouço, é um momento de paz que perdura durante o tempo em que permaneço naquele ambiente, como se lá fosse sagrado e o silêncio jamais pudesse ser quebrado.

Nesse momento, quebrei todos meus paradigmas e respondi para meu caro amigo nerd que estava a três micctórios do meu: “Vixe! Cálculo renal? Boa sorte!”

Deu-se um urro de repente. Se pudesse descrever como uma pessoa poderia gritar assim de dor eu diria que essa pessoa passou por um escorregador de lâminas e caiu numa piscina de álcool. O nerd, já com a cor da pele alcançando a de um alface, num esforço infindável tentava empurrar o cálculo bexiga afora.

Ouvi um barulho de louça quebrando e quando para meu espanto vi uma pedra portuguesa quicar da onde o nerd estava, ricochetear no espelho despedaçando-o de maneira que 7 anos de azar seriam pouco, galgar um azulejo e por fim alcançar a cabeça de um homem que estava entrando no banheiro, me abaixei para não ser ferido.

O nerd já não se encontrava ao meu lado. Se convertera num cara de pele verde-escura de pelo menos uns dois metros e meio de altura, músculos que saltavam, cara de poucos amigos, barriga tanquinho, olhar feroz, baba escorrendo pelo canto da boca e uma extrema simpatia que fez com que eu prestasse cada vez mais atenção ao que eu estava fazendo e me prometer que nunca mais olharia para o lado.

A descomunal figura mudou de mictório e num novo grito que ecoou por todo o estado fez “AAAAARGH”.
Num esforço superhumano, com a cor de sua pele já ficando mais verde, ou cinza – me parece que todo o sangue do coração do titã estava sendo bombeado para a bexiga dele para que tivesse força o suficiente para expelir o próximo cálculo renal – então vi (de soslaio claro) o que nenhum homem jamais viu: num baque surdo, um paralelepípedo caiu no chão do banheiro de forma a rachar o azulejo! Como se não bastasse, saiu quicando e atingiu a perna do homem que já tinha tomado uma pedra portuguesa no crânio e estava se recuperando, causando nesse instante uma fratura exposta no meio da canela do coitado.

Fiquei olhando de relance porque olhar diretamente seria assinar um atestado de óbito, então o homem atingido, muito irritado resolveu xingar o gigante que emanava radioatividade: “Ah, seu pitboy FD…”

Nesse instante, antes do homem completar a frase, o colossal ser cor de alfafa virou-se perguntando algo como “Ãh?!?” e balançou para que a última gota não fosse da cueca. No momento vi três estalactites da mais dura pedra voarem da direção da cintura do homem verde em direção ao pobre homem e atravessá-lo e fincando-o na parede.

Então, em segundos o ser se converteu novamente no franzino nerd.
Fiquei olhando espantado para o homem que me disse: “Eu avisei”.
Andou assoviando “The Killer´s Song”, pegou seus óculos no chão e saiu ululante do banheiro para encontrar a Betty Ross.

Moral da história? Mulher gata adora cara bombado.

Achou que eu fosse falar como prevenir cálculos renais?


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5 comentários

Toninho
Toninho 9.2.2010
Então o negócio do Alvin é ficar manjando caras bombados e grandões no banheiro, não é? É, cada coisa que tenho que ler ultimamente.
@danieapple
@danieapple 9.2.2010
Qto à moral da história: é mulher gata que adora cara bombado ou cara bombado que SÓ adora mulher gata?…
…Ou os dois? o.O
Alvin
Alvin 9.2.2010
Acho que a verdadeira lição é que os caras bombados SÓ adoram mulher gata e acabam com uns pokemóns e dragonzords – chega a dar dó!
@danieapple
@danieapple 11.2.2010
hahahaha boa! =D
Morenuda
Morenuda 26.2.2010
Literalmente mimijei de rir. Sem calculo renal plis. Bjus.

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